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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Moderação Mundial: Uma Cagada de Regra.

Eu gosto de política internacional. Pode soar, para você, que falo isso para parecer mais cabeçudo. Não é. Eu me interesso de verdade. Com o devido atrevimento, chego a formular teorias e propostas para alguns problemas mundiais. Infelizmente a Angela Merkel não entende português para ler o Blog.

Deixando a retórica auto-afirmativa de lado, confesso que resolvi falar sobre o assunto pois ando preocupado. Cheguei a conclusão que graças a Deus existe os Estados Unidos no mundo. Certamente a coisa seria muito pior sem eles. E não adianta você vir com todas as criticas usuais a esse país. Eu juro que conheço e compartilho de sua opinião em 90% delas.

Eles são arrogantes, para começar. Também entendo que, a política interna deles, é centrada em um mesmo pensamento ideológico. O bipartidarismo americano fica restrito ao nome. Isso sem falar que, no campo internacional, principalmente no Oriente Médio, o país só comprovou sua fama de autista. E não vou culpar apenas os republicanos por essa postura. Esse descaso para a opinião pública mundial não é de hoje. Basta lembrar que a invasão da Baia dos Porcos foi arquitetada no governo de JFK, o maior dos presidentes democratas.

Por sinal, para os defensores dos democratas, vale conferir a posição do Obama para os subsídios agrícolas. Apesar do muro, levantado na fronteira com o México, os republicanos parecem ser mais sensíveis aos interesses latino-americanos. Ao meu ver, os dois partidos tem seus pontos negativos e positivos, como tudo. Mesmo assim, na essência, são parecidos demais. Infelizmente, parece que o burro e o elefante não são animais tão diferentes assim, pelo menos em política.

Falei mais do que gostaria sobre os defeitos americanos. Principalmente se levarmos em conta que quero enaltece-los nesse texto. Retomando, graças a Deus que existe os Estados Unidos para serem mediadores no mundo. Conforme os anos passam e observo os conflitos ao redor do globo, maior é minha certeza.

Para começar, consideremos que hoje existam 4 potências mundiais com força política e militar para esse papel de protagonista. A primeira é óbvia, a segunda a União Européia, Rússia viria logo em seguida com a China ocupando o quarto lugar.

No campo internacional, concordo mais com a opinião dos principais líderes europeus. O problema é fazer eles chegarem em um consenso. São tantos países e tantas visões políticas diferentes que qualquer ação (ou reação) conjunta torna-se lenta. Isso sem falar da política interna de extrema direita que algumas nações insistem em defender. O pior de tudo é que não são países sem importância. Desses, a postura mais assustadora é certamente italiana.

É sempre bom lembrar que existem partidos, da base do governo Berlusconi, de origem radical. O Lega Nord é extremamente xenofóbico e o Alleanza Nazionale foi fundado para substituir o antigo partido fascista. Por exemplo, semana passada, escutei uma entrevista do ministro das relações exteriores Franco Frattini (no programa Hard Talk da BBC). Nela, ele foi indagado sobre o discurso de um político aliado que afirmava: “50% dos crimes, na Itália, eram culpa de estrangeiros”. A resposta do ministro deixou-me ainda mais consternado. Ele concordou e complementou que não havia o que discutir, que os dados refletiam a realidade. Simples assim. Uma resposta cômoda para um radical de direita, na minha modesta opinião. Seria muito mais inteligente dizer que a raiz do problema é social.










Mesmo que os dados da pesquisa sejam verdadeiros, não podem ser observados dessa maneira linear. Na Itália, os estrangeiros ilegais sofrem de uma série de problemas que empurra-os para a marginalidade. Eles não tem direito a saúde, ao trabalho ou qualquer rede de auxílio. Se amontoam em favelas nas proximidades de grandes cidades, principalmente Roma. Um cenário muito semelhante, mas ainda distante, da realidade do Brasil. O que não se fala é que a maioria chega na Itália fugindo de guerras na África e Oriente Médio. Para esses, por mais que a política interna seja dura, ainda não assusta comparada a realidade de suas origens.



















Ainda na Europa, falando de morosidade, observem o caso da Geórgia. Os caras estavam gritando para entrarem na OTAN, quase implorando. Tudo prevendo uma possível hostilidade de seus vizinhos. Não foram aceitos, com votos contrários da Alemanha e França, dando um sinal claro de fraqueza política. Vocês sabem, um tubarão é capaz de farejar uma gota de sangue em uma piscina. No dia 7 de agosto de 2008 os Russos invadiram a Geórgia com o pretexto de prevenir um genocídio na Ossetia do Norte. Em parte posso até concordar, afinal os georgianos não são santinhos. Mesmo assim existem pontos escuros nessa operação. Por que também atacaram alvos a uma centena de quilômetros? A maioria oleodutos, pontes, portos e ferrovias? Meu pai militar responderia: “é para cortar o abastecimento do exército inimigo”. A resposta é relativamente óbvia e simples. Acontece que isso só comprova meu ponto: os russos mostraram uma postura de agressor. Isso sem falar que ajudaram militarmente grupos separatistas na Abkhazia, outra região da Geórgia. Claro, com o mesmo pretexto de auxiliar seus cidadãos em terras estrangeiras.

Verdade que mais da metade dos habitantes dessa região tem passaporte Russo. Também deve ser dito que graças a uma colonização forçada, no período que englobavam a USSR. Essa migração ainda é uma técnica comum para limpeza cultural, muito apreciada por nações invasoras. Já foi usada com sucesso no Tibete, pela China, e nos territórios ocupados, por Israel. Nesse último país não deu tão certo, o governo enfrentou problemas para remover os colonos quando quis devolver as terras do Líbano e Egito. Mesmo assim, acho que a resolução do governo israelense de recuar para o território de origem, foi acertada.

Retomando a questão da Ossétia do Norte, o fato de existir uma população Russa não faz o território mudar de dono. Diria ainda mais. Nem uma solução democrática, como os referendos que fizeram os separatistas, deveria ser aceita. Concluo que as consultas populares, nesses casos, não refletem a justiça. Por que não aclamar a Califórnia, por votação de seus habitantes, parte do México? Ou então anexar o Kreuzberg, aqui em Berlim, ao território Turco? Os imigrantes teriam a opção desse desserviço, nos lugares que citei, seguindo a mesma lógica dos Russos. Agora, se isso não foi o suficiente para convence-lo de que o Kremlin não é amigável, aconselho uma lida na história da invasão da Czechoslovakia em 1968.

Já comentei da China e do Tiberte e, sinceramente, não vejo como justificar a anexação. Mesmo a China afirmando que a terra dos lamas fazia parte de seu território histórico. A menos que vocês concordem que valeria uma invasão do Uruguai, por tropas brasileiras? Mesmo assim, o pior não é a invasão. Acho que a forma com que eles acabaram com as raízes do país foi ainda mais grave. Destruição de templos, imposição da língua chinesa, migração em massa para o território invadido, proibição de religião e controle cultural são intoleráveis. Crescimento econômico e militar não significa evolução ética e moral. A China é um país que necessita desenvolver mais seus dotes humanísticos antes de poder sonhar com uma posição mais respeitável da opinião pública mundial.

Claro que tudo que falei aqui não passa de uma opinião. Uma bela cagada de regra. Até gostaria de saber mais o que outras pessoas pensam sobre essa possível troca de comando no terreno internacional. Infelizmente a grande maioria dos meus amigos acha esse assunto chato. Talvez eu até pensaria o mesmo se estivesse morando no Brasil, onde os problemas internos são mais que suficientes. No fim das contas, talvez seja melhor falar sobre o PT e PSDB ou começar a escrever em alemão.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Love Parade é o Kumbha Mela







1,6 milhões de pessoas











No final de semana passado, a pedido da patroa, fui conhecer a tão falada Love Parade. Por muitos anos ela foi aqui em Berlim. Infelizmente, devido ao crescimento do evento e prejuízos na cidade, passou a ser itinerante. Esse ano a parada foi em Dortmund.

Saí na sexta. Peguei o ICE com destino a cidade cede, chegando no mesmo dia à noite. Algumas estações de TV iriam transmitir direto do evento e eram esperadas um milhão e meio de pessoas. Tinha tudo para ser um evento espetacular. Infelizmente não foi o que eu achei.



Antes de falar sobre a Love Parade em si, vale filosofar um pouco, como sempre. Durante minhas pesquisas no campo espiritual, sempre tive curiosidade sobre um evento que ocorria na Índia, em dias marcados por cálculos astronômicos. O Kumbha Mela ou Maha Kumbha Mela, é uma data especial para o hinduísmo e celebrado em 4 diferentes cidades sagradas da Índia. É nessa oportunidade que Sadhus e Babas saem dos grotões das montanhas e da selva para banharem-se nas águas imundas do Ganges. Minha curiosidade é tão grande, por esse encontro sagrado, que penso seriamente em partir rumo ao próximo. Nas palavras do Artur Veríssimo o Kumbha Mela é uma Rave milenar do Oriente. Com essa propaganda não tem como não interessar-se. Pelo menos para mim soa muito legal.


Vídeo muito legal. Até os tailandeses entraram na festa para vender mais.

Acontece que a Love Parade é uma versão pequena-ocidental-alemã do evento indiano. Malucos de toda Alemanha e Europa, saem de seus esconderijos para mostrar toda sua feiura e estranheza. Claro que existe uma galera bonitinha. Acontece que eles são minoria. Posso garantir, a grande maioria é tão sexy como um velho Sadhu.







sadhu






































O primeiro encontro com esse mar de gente é na estação central de Dortmund. Um oceano de pessoas, saindo em horários próximos, de seus trens, antes da abertura oficial. Logo na saída de Haupbahnhof, uma pequena revista da policia. Garrafas de vidro eram confiscadas. Durante todo o percurso e próximo aos locais mais importantes, postos de controle recolhiam os cascos de garrafas de cerveja. Sinceramente não imagino que isso era feito com o objetivo de desarmar os foliões. Acho que eles confiscavam as garrafas para evitar cacos de vidro no chão e facilitar a limpeza da cidade. Esse ultimo fato é o principal problema levantado pelas cidades cede do evento.


Estação Central de Dortmund













Assim como os Sadhus, que cobrem o corpo de cinzas enfeitando-se (enfeiando-se?) e purificando-se para o Kumbha Mela, os freaks alemães arrumam-se para a Love Parade. Varias fantasias estranhas e coloridas saem do armário. Bem, não são só as fantasias que saem do armário. Ok, deixem para lá... Voltando ao assunto, as pessoas vestem-se de forma bem experimental. Tudo para diferenciar-se da trupe e, no fim, acabar ficando igual a todo mundo.



A Love Parade acontece com a galera dançando atrás de caminhões, onde DJ´s apresentam-se, antes do encontro dos melhores no grande palco. Esses caminhões, na verdade, são uma versão piorada do trio-elétrico. Nesse aspecto a parada recebe influencias do carnaval da Bahia. Uma galera na pipoca dançando ao som dos DJ´s. Aposto que o trio do Fat Boy Slim, em Salvador, da uma surra em todos os caminhões alemães.







esse saiu...











Outro fator que prejudica o evento é que a distância entre os “trio-elétricos” é muito pequena. Acaba rolando um efeito estéreo prejudicial ao aproveitamento musical. Dá para curtir um hard techno com o ouvido esquerdo e um electro no direito. Eu acabava ficando confuso e não sabia em que ritmo deveria dançar.



Existe ainda outro ponto de confluência entre a Love Parade e o Kumbha Mela. No evento indiano, chamou-me muito a atenção a quantidade de barro e poeira que a multidão levanta do chão batido. Em Dortmund não existiam estradas de terra. Em contra partida os canteiros das avenidas centrais precisavam apenas alguns litros de água para virar Woodstock. E a água veio. Claro. Uma chuva violentíssima começou a cair no início da manhã e só piorou no decorrer do dia. Uma pena que não seguimos a moda e compramos um par de gummistiefel. São as tradicionais botas de borracha que viraram febre na Europa junto com os festivais de verão.








Bota de borracha.













Woodstock










Pouco antes de começarem as apresentações junto ao palco principal, resolvi deslocar-me para próximo dele. Arrumamos um cantinho bacana para esperar os DJ´s. Faltando apenas alguns minutinhos para a abertura, a chuva piorou ainda mais. Pelos microfones avisaram para a galera sair da área mais próxima do palco, pois estava alagando tudo. Justamente onde eu estava. Aí foi a gota d’água, para ficar no trocadilho. Resolvi colocar a patroa no colo e voltar para o hotel. Foi a melhor decisão







Chegando no quarto tirei minha roupa molhada e suja e tomei um belo banho. O Hotel era muito bacana. Abri a mão e reservei um 4 estrelas. Depois da ducha sentei na cama e sintonizei a TV no Canal VIVA que transmitia o festival ao vivo. Enquanto assistia as apresentações dos DJ´s olhava a galera emocionada dançando. Pela Televisão, no quentinho e confortável quarto do Golden Tulip Hotel, a Love Parade estava sensacional. Aí pensei o seguinte: será que tem transmissão ao vivo do Kumbha Mela na TV de Nova Dehli?

domingo, 9 de março de 2008

O Pêndulo de Foucault














Provavelmente vocês já escutaram sobre o clássico romance, de Umberto Eco, O Pêndulo de Foucault. Para quem não sabe nada sobre ele, vou fazer a tradicional introdução de primeiro parágrafo. A história é bem louca, com sociedades secretas e referências a textos antigos, além de uma trama que inicia com os Cavaleiros Templários. Apesar disso, não é exatamente esse contexto que me interessou. O que eu mais gostei foi que ele fala da teoria do pêndulo.

Jean Bernard Léon Foucault foi um físico e astrônomo francês. Foucault era filho de um editor de Paris. Estudou Medicina, carreira que ele abandonou rapidamente para dedicar-se à Física. Interessou-se pelos métodos fotográficos de Daguerre e é particularmente conhecido pela sua experiência demonstrando a rotação da Terra em torno de seu eixo. Esse é o início da viagem, o conhecido Pêndulo de Foucault. No livro, Umberto Eco trata a teoria de outra forma. Quando a sociedade se inclina muito para um lado, ela perde o equilíbrio. Assim, uma força empurra o pêndulo na direção contrária.

Vou dar um exemplo. A igreja Católica passou por um período de libertinagem com orgias no Vaticano em um período negro de sua história. A resposta para esse excesso liberal foi a inquisição. É a busca do equilíbrio. A tentativa desesperada de empurrar o pêndulo para o centro. O problema é que na maioria das vezes a força costuma jogar o peso para além da neutralidade. Passando para o lado oposto e acarretando problemas de natureza semelhante.

Eu acho esse pensamento muito interessante. Como sou um cagador de regra leve, tenho uma outra interpretação da mesma lei. Uma evolução na teoria de Foucault e Umberto Eco. Para mim, essa força é sempre presente. Não apenas na oposição ao pensamento, mas também dentro de um mesmo lado do pêndulo. Vou tentar ser mais claro.

Em uma sociedade que se caracteriza por ser descontraída, como o Brasil, existe o lado bom do carnaval e da cultura da praia. Aquela amizade e calor que só um povo latino sabe ter. Por outro lado a desorganização, junto com o tradicional jeitinho brasileiro, aliado a corrupção, mostra uma face menos agradável dessa personalidade. O sistema sempre acha seu ponto fraco. Esse seria o lado oposto do pêndulo, mesmo dentro de um mesmo contexto. A oposição dentro da similaridade.

Aqui na Alemanha também encontramos um o lado negro. Se existe um lado negro em um alemão branquelo. Tudo bem, a piada foi muito sem graça mas eu também não estou para brincadeira. Assim, voltando ao assunto, os alemães são organizados, corretos e em tudo existem regras. Eles seguem tudo com absoluta dedicação. Não atravessam o sinal vermelho jamais. Mesmo que a população da terra tenha desaparecido por intermédio de um vírus letal. Dessa maneira, cabe a pergunta: como seria o pêndulo oposto dessa sociedade quase perfeita? Eu descobri isso algumas semanas atrás. O nome desse defeito é burocracia.

Esse lado negro se revela em todos os aspectos. Dentro da agência ninguém move um dedo por pura boa vontade. Quem não quer trabalhar procura esses defeitos na rede para complicar. Enrolando as coisas, eles tem mais tempo para surfar na internet e relaxar. Claro que existem pessoas que tentam ajudar e gostam do trabalho. Mesmo esses só fazem as coisas dentro das regras.

Há duas semanas tive o meu primeiro grande problema com a Bundesrepublik. Na verdade não foi um problema comigo, foi com a Lisi. Importante dizer que desde que eu disse SIM na frente do padre e do patrão celestial ela é total responsabilidade minha. Isso quer dizer que um problema para ela é um problema meu. Bom, resumindo o blá-blá-blá. A verdade é que negaram o visto da minha gata.

Você pode perguntar-se como. Esse é exatamente o problema. É aqui que a burocracia mostra suas garras afiadas. Baseados numa lei não-sei-qualé, a embaixada não é obrigada a responder qual foi o motivo. Depois desse categórico "não" começou a briga contra a forte engrenagem enferrujada do governo alemão.

Para quem não sabe o significado do nome desse blog, Ausländerbehörde, vou explicar. Esse é o departamento de estrangeiros do governo alemão. Ele fica numa região da ex-Alemanha Oriental. Um prédio estilo comunistão, quadrado e velho. Perfeito para um burocrata se esconder. Mesmo sendo um departamento para estrangeiros, apenas uma pessoa no edifício inteiro fala inglês. Tudo para atrapalhar ao máximo a vida do estrangeiro que quer trabalhar legalmente aqui. A ilegalidade é o caminho mais fácil. Por aí vocês podem imaginar o tamanho da encrenca.

Felizmente a agência está mobilizada para segurar o brasileiro peludo que tanto se dedica. A primeira providência foi a renovação do meu contrato por tempo indeterminado. Hoje meu visto é até 2010. Um privilégio que poucos estrangeiros conseguem com 6 meses de trabalho. Com esse contrato mais longo posso inclusive ter um celular de linha. Permitido apenas para quem possui um tempo de permanência maior que 2 anos. Apesar disso, nenhum desses privilégios será suficientemente interessante se a Lisi não puder me acompanhar.

Esse é o exemplo melhor acabado da teoria do pêndulo de foucault-eco-marconiano. É uma pena que, para desenvolver uma teoria dentro de outra tão interessante, eu tenha que ser a cobaia.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Regionalismo


















Eu acredito cada vez mais e, ao mesmo tempo, menos no regionalismo. Pode parecer estranho, para nossa cabeça ocidental bipolarizada, acreditar simultaneamente em dois extremos. Felizmente, os malucos de plantão podem encontrar abrigo no pensamento Zen, que estimula esse tipo de questionamento abstrato. Apesar de o assunto ser introduzido com conceitos tão cabeludos, vou fazer uma explicação simplificada que até os mais racionais poderão acompanhar. Para isso, devo falar melhor da idéia de regionalismo.

Regionalismo, nada mais é que uma busca ou identificação com algum elemento comum em determinado espaço geográfico. O gaúcho com o chimarrão é um exemplo. A figura do homem grosso, barbudo, tomando chimarrão de bombacha é um clássico do regionalismo. Junto com expressões populares, gestual e indumentária características, formamos uma imagem de um ícone de determinado lugar. Sempre que procuramos alguma identificação, num ato de saudosismo de nossas raízes, nos apegamos a esses clichês que definem nosso estado ou nacionalidade.

Tendo introduzido a idéia de regionalismo cabe a mim falar sobre o zen desse conceito. Assim, vamos discorrer um pouco sobre os motivos que me fazem acreditar cada vez mais nessa idéia. Quando viajamos, é fácil encantar-se pelos diferentes aspectos que formam uma determinada cultura. Quanto mais distante e exótica melhor. Essas características são profundamente enraizadas em nosso ego. Passamos a incorporar e definir nossa identidade em função desses clichês. É normal encontrarmos baianos mais baianos em São Paulo que em Salvador. Parece que quanto mais nos afastamos de nossas origens, maior é a necessidade de procurar aspectos que nos mantenham próximos de nossa terra.

Tenho alguns amigos que passaram por esse processo de redescobrimento cultural, depois que saíram de sua terra natal. O Alemão Fabrício, por exemplo. Ele fez uma viagem muito bacana com a Tuca, sua namorada, por todo o Conesul (região sul da nossa América). O objetivo era óbvio, resgatar sua origem que começava a se confundir com a de outros estados e apresentar sua herança cultural a amada companheira. Isso prova como o regionalismo acaba sendo um aspecto importante na formação de nosso ego e personalidade. O problema é quando ficamos tão afeiçoados e presos a essas características que acabamos por rejeitar outras culturas. Agarramo-nos a determinados conceitos que muitas vezes estão equivocados. Isso, na opinião desse mero maluco que vos escreve, tem outro nome: xenofobia.

Como gaúcho crítico que me tornei, acabo sendo um dos maiores cutucadores de ferida do meu estado. Acho que o gaúcho se tornou um povo xenofóbico. Temerário do novo, acabamos por rejeitar cultura que venha com a intenção de renovar ou refrescar nossas cabeças fechadas e orgulhosas. Tudo que vem do Rio Grande do Sul é melhor. Somos fortes e não precisamos de mais ninguém. Negamos nossa brasilidade em função de um regionalismo fervoroso. A balança começa a se inclinar para o outro lado. Parece que os gaúchos não enxergam que o Estado está cada vez mais pobre. Continuamos baseando nossa economia nos mesmos commodities de 100 anos atrás. Negar o novo não é honrar os heróis farroupilhas, é justamente abandonar os valores que sempre fizeram de nosso estado um exemplo de força e criatividade.

É aqui que começa o outro lado da moeda. Eu só consigo entender esse aspecto nefasto do regionalismo pois abandonei parte dele. Eu estou aberto a novidades e culturas. No nosso mundo globalizado é complicado identificar-se apenas com uma região. Depois de morar 5 anos em São Paulo acabei ficando em um limbo. Os gaúchos não me reconhecem mais como um irmão e os paulistas ainda me enxergam como sulista. Aí é que vem a questão de minha descrença no regionalismo. Acho que ele existe mas, felizmente, não fica restrito a apenas um lugar. O negocio é absorver o melhor de cada estado e formar sua própria personalidade, identificada mais com os seus conceitos morais do que propriamente com um espaço geográfico.

Cada lugar onde moramos ou vivemos, deixa marcas profundas. Acabamos incorporando aspectos de vida de todas as regiões por onde vivemos. Vou falar sobre mim para exemplificar. Sou gaúcho mas não sou viado (até piadinha ridícula de paulista já sei fazer), tomo chimarrão e asso um churrasco como poucos. Apesar disso, começo quase todos os meus raciocínios com “então”. Outra coisa, peguei raiva de corinthiano, sentimento que era restrito ao Grêmio. Quando morei na Inglaterra comecei a apreciar uma boa Guinness irlandesa, escutar techno e ir em Raves. Dos meus amigos baianos herdei a expressão “da pourra”. Do tempo que morei no Rio carrego um pouco da malandragem e do gosto por praia. Agora aqui em Berlim comecei a tomar weissbier, comer wurst e em breve poderei trocar os artigos. Isso sem falar que minha religião é indiana, absorvida e difundida no Himalaia, Japão e China. Parece piada.

O grande lance disso tudo é estar aberto a experiência. Sou um pouco contra os caras que mudam de cidade e acabam colocando-se em uma bolha. Aqui na Alemanha é muito comum. Pela dificuldade da língua, 50% dos estrangeiros optam por não estudar o alemão e acabam por se relacionar apenas com amigos de mesma nacionalidade. Esses acabam perdendo uma das coisas mais legais de morar em outro lugar. O aprendizado cultural e a modificação dos costumes acaba por fortalecer as raízes das quais nos orgulhamos mais. Eu acho que sou mais gaúcho hoje, depois de 6 anos fora da terrinha, do que quando morava por aquelas bandas.

A maior prova dessa
gauchismo está nesse vídeo. Não consigo assistir sem chorar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Eu acredito em karma

























Karma é um conceito muito antigo, presente em muitas religiões orientais. Para quem não sabe o que é vou fazer uma explicação rápida. A idéia é que toda ação tem uma reação. Atitudes negativas acumulam demérito que será cobrado no decorrer de uma vida (ou várias). Durante muito tempo, minha educação judaico-cristã não me deu acesso a esse ensinamento. Felizmente hoje, conheço e esforço-me ao máximo para acumular méritos através de atitudes positivas. Desde que comecei a observar a vida por esse ângulo, não parei empilhar certezas sobre sua existência. Ontem o karma deu-me mais uma lição e a roda da vida completou mais uma volta. No entanto, para falar sobre esse aprendizado, preciso voltar um pouco no tempo, para os anos de 2002 e 2005.

Ser colorado nem sempre foi uma opção pela alegria, na verdade era sinônimo de sofrimento. Passei uma década vendo meu rival empilhar títulos e o meu time com uma administração vexatória. Era mais fácil o Inter frequentar o inferno da segunda divisão do que ganhar algo importante. Após uma nova ameaça de rebaixamento em 2002, novamente livrando-se da queda apenas na última partida (desta vez fora de casa, contra o Paysandu, em Belém), o Internacional recuperou a hegemonia do futebol gaúcho, com a conquista de quatro estaduais consecutivos (2002, 2003, 2004 e 2005). Em 2005 o Inter formou uma grande equipe, liderados por Muricy Ramalho e Fernandão os anos negros pareciam ter ficado no passado. Apesar dos excelentes times do Corinthians (Tevez, Masquerano e Nilmar) e São Paulo (Campeão da América e do Mundo) o colorado liderava o Brasileirão e começava a abrir larga vantagem, em relação aos outros postulantes ao título. Infelizmente, essa expectativa não se confirmou.

Toda a torcida e dirigentes do Corinthians, além de jornalistas e radialistas, sabiam que o Timão havia se tornado uma enorme lavanderia. Incrivelmente, uma chuva de dólares sujos caíam, como por milagre, no Parque São Jorge. Craques, com salários acima da realidade do futebol brasileiro, desfilavam com a camisa do time mais popular de São Paulo. A arrogância e o vale-tudo começaram a ser a marca registrada do Corinthians. A torcida e os dirigentes não viam problemas em tudo isso, claro, o importante era levantar a taça. Ninguém jamais cogitou a possibilidade do karma. Não imaginavam que, ações como essas, apenas sujavam o time e ligavam a marca, de um dos clubes mais importantes do mundo, a máfia Russa. Acho que apenas isso já seria o suficiente para o karma do Corinthians crescer negativamente. Para minha surpresa, foi apenas o começo de um longo caminho do céu ao inferno. Nesse exato ponto da história, o destino colocou colorados e corinthianos em lados opostos. Os acontecimentos que irei narrar agora mudaram a trajetória recente dos dois clubes. E o karma de ambos também.

Depois de anos de sofrimento os colorados ainda tinham muito o que chorar. Ninguém acreditou quando viram o título do Campeonato Brasileiro ser tirado do Internacional através de uma manobra extrajudicial, na qual o Corinthians foi o maior beneficiado. Dentro de campo, “o time do povo do Rio Grande do Sul” fez mais pontos que seu adversário. Porém, um suposto escândalo envolvendo manipulação de resultados abriu uma brecha para que o Corinthians disputasse novamente duas partidas das quais havia perdido. Não bastasse isso, no confronto direto entre as duas equipes do dia 20 de novembro, no Estádio do Pacaembu, o árbitro Márcio Rezende de Freitas anulou um pênalti sofrido por Tinga e, não satisfeito, expulsou o jogador colorado, que era um dos melhores da partida. Como resultado final, o clube paulista acabou ficando com o título, com apenas três pontos de vantagem sobre o Internacional, vice-campeão. Nessa época eu morava em São Paulo e acompanhei o constrangimento com que os paulistas comemoravam o titulo. O festa foi comedida. Não pareceu uma festa pela conquista de um Brasileirão. Mesmo assim, os torcedores, em sua maioria, seguiam apoiando a política de golpes baixos da diretoria do Timão. Aos colorados só restava lamber as feridas.

A compensação colorada viria no histórico ano de 2006. Treinado por Abel Braga, o time colorado sagrou-se campeão da Copa Libertadores, no dia 16 de agosto de 2006. Mais de 57 mil torcedores lotaram o Beira-Rio para assistirem ao emocionante empate em 2 a 2 contra o São Paulo (campeão mundial em 2005), colocando assim o clube colorado na galeria dos campeões da Libertadores. O dia 17 de dezembro ficará marcado na memória de todos os colorados como aquele em que o Inter viveu a maior glória de sua quase centenária existência. Alem dessa incrível façanha na América, os colorados ainda comemoraram o titulo de campeão mundial em Yokohama. Derrotando para isso o poderoso Barcelona, liderado pelo ex-gremista Ronaldinho Gaúcho (eleito duas vezes melhor jogador do mundo). Parecia até final de filme de Hollywood. O que mais o destino poderia reservar para o colorado? Para o Internacional a história parecia chegar ao fim mas ainda existia um time a enfrentar seu karma.

No dia 2 de dezembro de 2007 o Corinthians encarou seu destino de frente. Depois de denúncias no ministério público, provas cabais de uma diretoria envolvida em negócios sujos, o pior ainda estava por vir. Nessa data o Timão decidia sua vida, na primeira divisão, jogando contra o Grêmio, no estádio Olímpico. Ironicamente dessa vez, torcia também por uma vitória do Internacional frente o Goiás, no estádio Serra Dourada.

O Inter começou ganhando e o Corinthians perdendo, com um gol de Jonas no primeiro minuto de jogo. Esses dois resultados deixavam os paulistas na elite, apesar da derrota. No exato momento em que o Goiás empatou o jogo o Corinthians marcou seu gol, no Olímpico. Assim acabou a primeira etapa.

Os corinthianos torciam mais pelo Inter que para o próprio time. Pareciam acreditar mais nas qualidade do colorado que nas forças de seu jovem elenco. Foi aí que um pênalti foi marcado favorável ao Goiás. Para desespero da Fiel, o juiz mandou voltar a cobrança defendida duas vezes pelo goleiro Clemer. Na terceira tentativa, depois da desistência e incompetência de Paulo Baier, Élson fecha a tampa do caixão corinthiano. O time do Parque São Jorge irá amargar um longo ano na segunda divisão.

Após o jogo torcedores, jogadores e dirigentes do Corinthians acusaram os colorados de amolecer o jogo contra o Goiás. Acusação absolutamente incoerentes. É improvável que o Internacional entregasse o jogo no Serra Dourada. Mesmo tendo um time superior ao dos esmeraldinos, é histórica a dificuldade vermelha em Goiânia. Além do mais seria incompatível, para um clube que sofreu tanto nas mãos da injustiça, se aliar a mesma escola podre, que tanto o condenou no passado. Espero do fundo do coração que isso não tenha acontecido. Porque se for verdade, a bola pune. E o Karma também.

sábado, 17 de novembro de 2007

Qualidades Mentais: Uma Cagada de Regra.

Maquiavel foi um grande cagador de regras. Talvez o maior cagador de regras da nossa história. Dizem que ele é o fundador da ciência política moderna. Isso sem nunca ter comandado um Estado. Em resumo, ele escreveu sua maior obra sem nunca exercer a profissão. Bom, não é exatamente sobre isso que eu gostaria de falar.

Não gosto muito de teoria, sou mais prático, mas concordo com dois de seu conceitos: o de virtù e fortuna. Atalhando o raciocínio, virtù são as qualidades necessárias para um governante e fortuna é sorte. O cara só se dava bem se tivesse as duas coisas. Eu acho simples e inteligente. Quase indiscutível.

Nas próximas linhas vou ser um pouco Maquiavel e tirar algumas conclusões metafísicas. Nada como falar de teorias que não podem ser comprovadas por um experimento científico, para cagar uma boa regra.

Sobre sorte não tenho o que falar. É algo muito subjetivo. Sendo assim, eu me interesso pelas qualidades (pelo conceito de virtù), principalmente as mentais. Nos últimos dias, pensando sobre o assunto, cheguei a uma conclusão. Na minha opinião, existem quatro qualidades mentais das quais derivam todas as outras, são elas: a inteligência, o conhecimento, a disciplina e a sabedoria.

A inteligência é meio como a sorte e poderia ser classificada como fortuna. É algo imutável: o cara nasce com ela. Ainda não existe como mudar o DNA e fazer com que uma pessoa aprenda mais rápido, tenha uma memória maior ou entenda as coisas de primeira. Isso são heranças biológicas. Um dia, quem sabe, isso deixará de ser uma loteria. Infelizmente para mim, acho que até lá já terei batido as botas.

O conhecimento é fruto do estudo, da teoria e da prática. É o nosso HD interno. Todas as informações que acumulamos são guardadas e combinadas através do conhecimento. Claro que, um cara inteligente, costuma ter esse atributo muito acima da média. Não quer dizer que isso seja uma regra. Uma pessoa inteligente e preguiçosa não se compara a um mediano esforçado. Outra coisa, o conhecimento é influenciado pelo tempo. Ele cresce e se desenvolve na medida que dedicamos esforço ao assunto. Esse é o atributo principal dos acadêmicos e cagadores de regra. É impossível defender uma opinião sem ter um bom exemplo ou analogia para cruzar com o problema proposto.

A disciplina é exercício puro. Você treina e aprende a controlar a sua mente. Certamente, disciplinando pensamentos e controlando sentimentos, fica mais fácil dominar as ações do corpo. É como a analogia da carruagem e dos cavalos, de Gurdjieff. Os cavalos são os sentimentos e pensamentos, a carruagem é o corpo. O condutor precisa saber levar os cavalos para controlar melhor o carruagem. A disciplina é o que permite aos Sadhus suportarem a dor em seus votos sagrados. Quem de nós teria a capacidade de ficar 15 anos com um braço levantado ou 20 com uma faca atravessada em um membro? Nem o BOPE e nem SELVA.



A sabedoria é a qualidade mais importante, na minha opinião. Ela independe da inteligência e do conhecimento, é fruto da simples observação e entendimento dos fenômenos da vida. Um homem do campo, pode ter um conhecimento raso e uma sabedoria profunda. Num mosteiro, existem monges que só estudaram religião durante toda a vida. Mesmo assim, estes esconder uma sabedoria magnífica. Um outro ponto: ela é imensamente atrelada a interpretação correta das experiências do tempo. Costuma vir com a idade, com os erros e acertos da vida. Mesmo assim existem exceções onde velhos são mesquinhos ou cegos emocionais. Em todo caso, são raros os que não apresentam uma vasta sabedoria. Tudo porquê grandes perdas, traumas, dores, amores, beijos não podem ser aprendidos em livros. Estas experiências apenas podem ser vividas. Um ensinamento budista fala exatamente sobre isso. Nele, um monge exemplifica a dificuldade de explicar o nirvana com a seguinte pergunta:. ---Como demonstrar o sabor do mel para quem nunca provou?

Como todo bom cagador de regras, para fundamentar um pouco a minha teoria, vou falar de algumas alegorias antigas que ilustram meu pensamento.

O Evangelho Segundo São Mateus trata da vida de Jesus. No entanto, um livro não aceito em nossa Bíblia traz histórias do filho de Deus, antes dos 30 anos. Seu nome é A infância Segundo o Evangelho de Thomas. Nesses manuscritos Jesus é apresentado como uma criança normal, que inclusive usa os seus talentos de forma irresponsável. Na primeira parte do livro Jesus brinca na lama do rio Jordão fazendo pássaros (vivos é claro) da areia da margem. Com 5 anos, ele usava seus poderes para humilhar seus professores, derrubar seus amigos, mostrando um lado até mesmo cruel. No segundo ato Jesus tem 8, ele descobre sua responsabilidade e usa o seu poder para o bem. Entre os feitos dessa parte do livro está um milagre onde ele iguala as arestas de um móvel que seu pai cortou errado e, com uma semente, plantou comida para uma centena de pobres. Com 12, na terceira parte, ele já era o Jesus sábio do Novo Testamento.

É impressionante imaginar que, de tão popular, algumas histórias desse livro foram incorporadas ao Alcorão. Hoje esse texto quase não existe. Um testamento que ensinava a essência do despertar da sabedoria, em uma pessoa inteligente e culta. Aqui ainda vale um parêntese. É impossível falar desse testamento e não lembrar do clássico do Allan Sieber “Deus é Pai”.



Outro exemplo é quando o Dalai Lama falou que o Budismo cometeu erros no Tibete. O principal deles foi isolar-se do mundo, incluindo não participar da ONU. Esse pecado foi pago por um preço muito caro. O Tibete foi invadido pela China. Na minha opinião essa ilha de sabedoria ficou afastada do conhecimento do oriente. Não se modernizou em alguns aspectos importantes, principalmente na política e na medicina. Enquanto isso seu vizinho Butão continua com uma monarquia vitalícia. Não teve a infelicidade do Tibete graças as manobras de seu governante. Mesmo sendo o país mais fechado do mundo, ganha alto com o turismo e investe mandando seus médicos e professores para estudar no oriente.

Será que o rei Hussein, de 1998, comandaria as tropas jordanianas, favorável a união árabe, em um ataque a Israel? Ataque esse que lhe custou metade da cidade sagrada e as terras a oeste do rio Jordão. Isso sem falar em um atentado terrorista, (de seus irmãos árabes Palestinos) que quase tirou sua vida. Será que ele tomaria essa decisão, tendo aparentes cabelos brancos, mesmo sem saber que o resultado seria a derrota?



Como toda teoria bem formatada, esse conteúdo pode encontrar respaldo em outros exemplos. Eu acho que esses três que escrevi, explicam bem minhas idéias. Infelizmente, como a maioria das cagadas de regra, esse conteúdo revela-se pura especulação. Como já falei, não pode ser comprovado fora do ambiente do laboratório mental. São apenas palavras ao vento. Um pouco de inteligência burra para divertir o cérebro, até que outra teoria maravilhosa ocupe o espaço vago antes por Maquiavel.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Dois assuntos e uma cidade.

Nos livros ela é Amsterdã, já os mais íntimos abreviam o nome para Adam. Uma cidade inigualável. Com seus 800 mil habitantes e uma média de 1,5 milhão de turistas anuais, suas ruas fervilham. Por onde quer que passeie a visão existe história, beleza e inteligência. Tudo sem perder o charme de um vilarejo. A reciclagem cultural é impulsionada por uma população estrangeira, ávida por coisas novas.



Vista para um dos canais









Semana passada, fiquei um sábado e domingo entre seus canais. Não poderia ser melhor. Na verdade, se a Lisi estivesse lá, seria perfeito. O clima da cidade sempre me impressiona. O que eu mais gosto é a liberalidade. Para muitos essa característica é uma desvantagem, para mim um complemento. Claro que existem problemas decorrentes desse posicionamento. No Red Light District (ou Walletjes), por exemplo, traficantes ocupam as ruas, iluminadas pelos neons vermelhos, oferecendo todos os tipos de drogas possíveis. Não que elas sejam legalizadas. Na realidade, em sua maioria elas não são. Existem algumas não industrializadas que foram toleradas na década de 70, entre elas está a maconha e os cogumelos alucinógenos. Essas são encontradas e vendidas em estabelecimentos específicos, as Smartshops e os Coffeeshops.






Coffeeshop






Minha abordagem no último parágrafo pode ter assustados os menos liberais. Mesmo assim posso garantir que não existe motivo para pânico. Tanto a Red Light District como os Coffeeshops são observados por câmeras. Nada passa da vista apurada da polícia holandesa. Liberdade sim, mas com controle do Estado. Talvez isso seja reflexo da Guilda de São Jorge, uma das corporações criadas para manter a ordem na cidade, por volta do ano 1533. Ou da Guarda Civil, fundada em 1580 pela união de três associações de atiradores. Poderia ainda propor qualquer outro motivo. Só escrevi esses dois primeiros para parecer inteligente.






When nature calls....











Red Light District







Um pouco mais de história me provoca a teorizar, novamente, sobre a cidade. Agora fico pensando na origem desse pensamento liberal.

No ano em que nosso país foi descoberto, Amsterdã já tinha 12.000 habitantes. Nessa época o comércio no mar Báltico trouxe riqueza e poder, fazendo dela a cidade mais importante da província da Holanda. Com a reforma protestante que varria a Europa, em 1578 Amsterdã se tornou a capital da nascente República Holandesa. Isso sem antes passar por uma guerra civil que durou 80 anos. No fim o vitorioso foi um governo protestante, feroz e intolerante, que expulsou os católicos da cidade. Esses protestantes Calvinistas tentaram, inclusive, abolir a prostituição que já era aceita desde 1478. Além de destruírem obras religiosas em Beeldenstorm, em 1566. Como vocês podem ver, eles já brigavam por liberdades individuais antes mesmo de sairmos do ovo como nação.




Jeitinho holandês. Casas são maiores no topo pois o imposto é cobrado pela parte de baixo.



Hoje em dia, baseados em uma política centrada no indivíduo, outras minorias encontram espaço para fazer valer suas opiniões e direitos. Apenas para listar algumas dessas iniciativas: o casamento homossexual (com direito a adoção), eutanásia e aborto.










A câmera ficou doidona






Mudando de assunto sem mudar de cidade.

Não sou ciclista, uso bicicleta como meio de transporte. Assim, meu negócio não são aquelas cheias de marchas, estilo esportista. A magrela precisa ser funcional, adaptada para o ambiente em que ela roda. A minha na Vila Olímpia era estilo grandona de praia, a diferença eram os pneus grossos e o banco hiper-acolchoado. Tudo para facilitar a vida em um dos bairros mais esburacados do Brasil (repito do BRASIL). Mesmo assim, era apaixonado pelo meus momentos pedalando nessas ruas horrorosas. Agora imaginem eu em Amsterdã que é bonita? É o paraíso. Todos só andam de bicicleta.





Fui para Holanda e lembrei de você.




Eu acho esse meio de transporte perfeito: não poluente, seguro, rápido e ainda o cara faz exercício. Tem algum melhor? Não entendo porque nenhuma cidade brasileira aproveita. Parece óbvio. Por que São Paulo não tem uma ciclovia descente (Aquela da Faria Lima é ridícula)? Dizem que o motivo é a cidade não ser plana. Eu acho uma meia verdade. Da Vila Olímpia, passando pelo Itaim e somando toda a faixa da Faria Lima, vemos um terreno bem nivelado.






A céu não é aplicado





Agora imaginem o seguinte cenário. O trânsito no interior dos bairros seria fechado e o acesso liberado apenas para carros de moradores, ciclistas, táxis, carga e pedestres. Para chegar a essas áreas existiriam estações de metrô, além das já conhecidas avenidas Faria Lima, Hélio, Juscelino e Marginal. Facilitando o deslocamento, bondes elétricos cruzariam o miolo do bairro. Tanto os bondes como o metrô deixariam que o passageiro entrasse com a bicicleta. O espaço para essas mudanças viria dos estacionamentos da área azul, obsoletos depois do esvaziamento de carros. De um lado passaria o bonde e do outro duas pistas de bicicletas. A via principal continuaria sendo apenas para carros. Acho que sobraria um espaço até para uma calçadinha. Um luxo se tratando de São Paulo.
Esse parágro tava horrível e só reparei agora. então dei uma arrumadinha.













Sou tão idealista que acredito que esse projeto é viável. Para quem trabalha na Vila Olímpia tenho um desafio: contar a quantidade de entregas que já são feitas em bicicletas. Esse teste pode ser feito em qualquer horário de almoço. É comum encontrar entregadores de padarias, restaurantes e pizzarias desviando dos carros. Existem até policiais que monitoram o bairro em suas magrelas militares. Isso apesar de todos os problemas. Imagina com espaço?

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Brazilian Wax

Uma das coisas que eu mais gosto no meu relacionamento com a Lisi é não termos ciúmes. Não que ele seja inexistente, isso seria uma mentira. Digamos que ele fique em um nível salutar e respeitoso. Manter o ciúmes em um estado adormecido é fundamental em um relacionamento a distância. Imagino como seria complicado, para outra mulher, entender que seu marido está sozinho em um país de loiras gigantes. No caso da Lisi isso não assusta. Ela se garante com seus 1,60cm. Tá bom amor, 1,63cm.

O engraçado é que mesmo que eu fosse um canalha taradão, ela não teria motivos para ciumeira. Ao contrario do que o Manir falou, dizendo que as loironas ficam malucas com um latino, aqui na Alemanha elas nem me olham. Tudo bem que não sou nenhum bonitão mas tem coisa bem pior no mercado. E isso não sou eu quem está falando. São os corações que aparecem no meu perfil do orkut.

Para falar a verdade, eu nem tinha reparado que estava tão mal na foto. Só fui perceber depois de trocar uma idéia com alguns amigos brasileiros lá da agência. O meu problema não é o maxilar pequeno e nem o nariz maiúsculo. O meu problema aqui é a quantidade de cabelo no corpo.

Porra. Logo isso? Se fosse qualquer outra coisa até tentaria arrumar. Operar o nariz? Fazer musculação? Colocar um dente de ouro? Tudo seria mais fácil do que depilar meu lindo peito cabeludo. Isso se o problema fosse só o peito. Ele vai além. Passa pelos braços, pernas e vai até o saco. Que coisa. Definitivamente não sou corajoso como o Bruno Cardoso para passar a gillette. (Fudi com o Brunão nessa)








A. barbadensis Mill., A. vulgaris Lam. ou Aloe Vera, a popular babosa


E pensar que, no colégio militar, tinha uma gurizada que colocava babosa no peito e no bigode. Tudo para ficar com cara de homem. Eu não precisava, desde novo já ostentava um belo tórax cabeludo. Sempre me orgulhei de ser do tipo Tony Ramos. A testosterona é um hormônio em alta aqui nesse corpinho. Um macho como nos velhos tempos. Do Tempo das cavernas.