quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

EGITO

Sempre tive curiosidade acerca do Egito e sua história. Desde muito jovem, quando o interesse passava pelas lendas e deuses egípcios, até a fase adulta mais centrada no lado esotérico e histórico.




Hotel Jazz Mirabel em Sharm el Sheikn







Minha maior dificuldade para realizar o sonho, no momento, era convencer minha esposa Lisi que, passear por um país muçulmano, com temperaturas escaldantes e uma dezena de ruínas no deserto, seria um programa legal. Felizmente, encontrei um interessantíssimo cruzeiro pelo Nilo. Passando pelos principais templos de meu interesse, iniciando por Luxor e Karnac, na antiga Thebas, incluindo Dendera, Aswan, Abu Simbel entre outros, isso sem abrir mão de todo luxo de um hotel 5 estrelas. Em troca de mais alguns dias no Cairo, acrescentei uma passagem para Sharm El Sheikn onde ficaríamos em um excelente Resort, na base do monte Sinai, com o Mar Vermelho como paisagem. Sim, o Euro forte facilitou (e muito) a minha vida. Como pseudo-europeu, nada melhor que gastar meu salário no terceiro mundo. Assim, no dia 29 de janeiro partimos rumo a Luxor.














Para não ficar chato, dividi o texto em partes. Algumas são um pouco mais cabeçudas e, portanto, cansativas. Em todo caso, escrevi também pequenas observações sobre coisas engraçadas e curiosas.
















Façam bom proveito.



INÍCIO


Luxor, a cidade que conhecemos hoje, nada mais é que a região onde abrigava a antiga Thebas, a grandiosa capital do Novo Reino do antigo Egito, cidade do Deus Amon-Ra. Chamada, também, de o maior museu a céu aberto do mundo, abriga dois dos maiores complexos de templos de todo planeta (Karnak e Luxor) e é próxima de uma centena de outros sítios arqueológicos, como o Vale dos Reis, Vale das Rainhas e, um dos mais preservado de todos os templos, Dendera. Isso sem mencionar o maravilhoso complexo mortuário de Hatshepsut. Apenas pra corroborar com o que escrevi, vale apresentar um número. 85% de tudo que foi encontrado do antigo Egito encontra-se na região da antiga Thebas.














Chegamos ao aeroporto e como primeira providência fizemos o visto. Fácil, rápido e indolor. Uma grande vantagem que observamos do passaporte verdinho é a receptividade nos países que dividem a pecha de terceiro mundo. Todos gostam do Brasil. “Ronaldinho, Kaká, Denílson, Romário, Pelé, Robinho” são as referencias automaticamente associadas. Não há dúvidas que o futebol é o nosso cartão de visitas. Melhor embaixador não existe. Isso sem falar que, quando usei o manto do Internacional, fui reconhecido. Como esquecer o emocionante jogo contra o Al-Ahly em Tókio? Ou a vitória diante da Inter de Milão em Dubai, transmitida para todo o mundo árabe? Sei que os gremistas tendem a diminuir esses dois jogos, felizmente o mundo não é definido pelos seus desejos. Em todo caso, nem por isso deixei de escutar, de um comerciante, “Batistuta”. Erro gravíssimo. Ao que Respondi: “perdeu a venda companheiro”.







Meu brother Mustapha.






Começamos o primeiro dia em Dendera, que é um complexo, como já falei, muito bem preservado. Acredito que o motivo seja por ser um dos mais recentes templos, ainda do período Ptlomaico. Em outras palavras, da dinastia grega que sucedeu a conquista do Egito por Alexandre o Grande. Impressionante e, ao mesmo tempo, repugnante é a forma com que esse maravilhoso complexo fora usurpado pelos subseqüentes colonizadores cristãos. Ali fora construída uma igreja, além de colunas e paredes ricas em hieróglifos serem cobertas por pinturas de apóstolos e santos. Felizmente essas últimas não resistiram ao tempo, permitindo que posteriormente voltasse a deslumbrante arte egípcia. Claro que esse estupro cultural não é privilégio único desse templo ou do Egito. Em todo mundo a imposição religiosa cristã só faz envergonhar seus fiéis.





Cruz esculpida em antigas pedras de templos.












Karnak






Voltando ao povo. Aproveitamos o início da tarde para fazermos um passeio de charrete pelo interior de Luxor. O ponto alto dessa incursão seria um legítimo mercado egípcio. Não os organizados Bazares próximos ao Nilo, mas os verdadeiros e pobres mercados mais afastados. Localizado, ao que parecia, em uma grande favela árabe.






Um carroceiro, não o meu condutor.






Durante o caminho, crianças abordavam nossa charrete tentando vender toda a espécie de produtos. Esses, ao aproximarem-se, em pequenos bandos, atrapalhavam a vida do condutor que não desviava. Ele afastava-os apenas mencionando pegar um longo chicote, que inicialmente servia para conduzir o cavalo. Reservava, também, aos mais insistentes, um breve estalo do relho.







Vista do barco no Nilo.







Nada educado, muito desumano, mas bastante eficiente.

Na pequena carroça íamos quatro: eu e a Lisi, o condutor e seu filho pequeno, chamado Ahmed. Conforme afastava-nos do Nilo, a pobreza crescia e a conversa com o carroceiro ficava mais interessante. A semelhança com o pior do Brasil é óbvia, principalmente quando deparei-me com um grupo de criança catando comida no lixo. A diferença ficava com o fato de meu condutor falar um inglês muito bom. Muito superior a média brasileira mas sobre isso estenderei-me um pouco mais adiante.






É Brasil!!!!







Entre o zumbido de milhares de moscas que se aglomeravam nas frutas do mercado, nas pessoas e pedintes, escutava as sábias palavras do carroceiro. Ele apontava para os prédios e tecia comentários sobre escolas adornadas com a foto do presidente, alem de dar-me dicas importantes de como tratar uma mulher.






É Brasil!!!!!







A mais interessante delas era acerca de seu hábito de fumar haxixe. Como muçulmano ele havia parado de beber álcool já faziam 4 anos. Agora, apenas uma boa fumadinha TRÊS vezes por semana. Com a justificativa que o haxixe era um bom afrodisíaco e ajudava-o a deixar a mulher bem feliz. Pude perceber que o efeito deveria ser realmente bom. Afinal, mesmo na presença do pequeno Ahmed, ele não conseguia parar de mexer com todas as mulheres por quem passávamos.



LUXOR, KARNAK, evolução do homem e Atlântida.

O templo de Luxor foi um momento especial. Na entrada, através de uma avenida de esfinges, todas representadas com a face de Tuthmosis III, um gigantesco obelisco marca o local do antigo pórtico. Antes eram dois desses gigantescos falos apontando o céu, o segundo, hoje encontra-se na praça de La Concorde em Paris. Presente de Mohammed Ali do Egito para Felipe II da França.









Luxor








Luxor fora construída face a face com Karnak, distante 3 km deste, o palácio fora erguido para grande festividade de Opet, quando a estátua do Deus Amon era trazida em procissão. Nesse dia todos bebiam e festejavam a fertilidade da terra, ou melhor dizendo, as cheias do Nilo.

Para mim, o complexo que integra Karnak e Luxor, tem um efeito ainda mais intrigante. Isso devido a figura enigmática de um mestre esotérico. Durante seus estudos sobre a verdadeira natureza do homem, George Ivanovitch Gurdjieff, havia passado por ambos os templos. Para ele, a verdadeira sabedoria, que proporcionava a formação de um homem consciente, estava perdida em alguma tradição esquecida. Provavelmente trazida de um continente esquecido.






Lisi no clima árabe.







Um dos possíveis vestígios desse conhecimento, está nas paredes de Luxor, onde encontramos um desenho de Amon, representado com uma coroa dupla e um longo falo (pênis) lançando suas sementes (ejaculando) pela terra.








Detalhe de favela no Cairo.





Para William Patrick Patterson, seguidor do terceiro caminho de Gurdjieff e autor de um documentário sobre este, a coroa dupla representa os dois aspectos do homem, animal e espiritual. O homem consciente, de natureza presente unifica essas duas antíteses. O pênis seria a comunhão com o espírito. A necessidade da carne de unir-se com a alma. Nesse caso a teoria ganha mais força se notarmos que a posição do falo, na figura, é um pouco acima do que a anatomia real. Posicionando-se, assim, na barriga. É sabido que para os egípcios a força cognitiva vinha do coração e das entranhas e não do cérebro. Assim a ejaculação representaria a comunhão espiritual.





Esfinge.









Para os egiptólogos, a coroa dupla é a união do alto e baixo Egito, sendo a ejaculação representação da fertilidade trazida pela cheia do Nilo.

Uma terceira interpretação ainda se faz necessária. Talvez o Deus Amon seja um predecessor dos futuros artistas do ramo do entretenimento adulto. Bem dotado e também em forma, não seria difícil atestar que Amon El Egípcio poderia ganhar muito dinheiro no pornô.

A construção do templo de Luxor é objeto de diversos estudos, alguns afirmando que ele apresenta as mesmas proporções do corpo humano. Sendo assim, um complexo destinado ao homem e sua evolução espiritual.

Importante também comentar que em uma das capelas do templo, encontra-se representações de hieróglifos que contam a real natureza de Alexandre o grande. O conquistador macedônico, segundo gravuras nas paredes, era filho de Amon, assim sendo, governante legítimo de todo Egito, um Deus entre os homens, o novo faraó. Toda essa receptividade veio com a libertação do Egito do domínio Persa, por Alexandre. Assim é introduzida a dinastia Ptlomaica, cuja maior representação encontra-se em Cleópatra VII.

Karnak é um templo muito bem acabado e orientado astrologicamente. O fato de, no solstício de inverno, o sol nascer em sua face oposta, ocupando o espaço de um altar e iluminando o templo através do corredor central, representa a chegada do homem ao amadurecimento espiritual, comungando, finalmente, com a alma. Suas altas colunas com desenhos de papiros e também lótus, representariam o nascimento da alma, no lodo do pântano de nossa humanidade, transformando-se através da evolução, em uma bela flor. Exatamente a mesma mensagem que essa flor transmite para os seguidores da doutrina Budista.







Colunas Karnak







O jardim botânico que existiu, ainda nesse templo de Karnak, impressiona. Além de animais de todos os recantos e conquistas do Egito, encontrava-se lá as mais diversas plantas. Algumas não nativas e que serviam ao deleite exclusivo do faraó. Entre essas estavam frutas, como manga, maças e pêssegos, além de cogumelos comestíveis, ópio e maconha. Alguns estudos subseqüentes, em múmias, ainda identificaram a presença de Nicotina. Seria uma informação trivial, se o tabaco não fosse desconhecido na África e Europa naquele tempo. Eram privilégio da America pré-colombiana. Seria essa uma prova da relação, anterior, entre os dois povos divididos pelo Atlântico? As construções de pirâmides e a representação do Deus Maia Huracan, responsável pela grande Inundação, são outras peças que comprovariam tal afirmação. Ou isso apenas mostra que todos esses povos vieram de uma civilização mais antiga ainda? Talvez nenhuma das afirmações. Eu, particularmente, acredito em ambas.

A representação da barca no antigo Egito, como instrumento que leva as almas dos mortos para uma pós-vida, através das águas da escuridão, para muitos, é apenas uma alegoria de passagem. Para outros isso representa laços ainda mais antigos com povos que em barcas chegaram após um dilúvio. Textos assim são encontrados em hieróglifos de Edfu e em cuneiformes mesopotâmios. Nesse último, o texto é conhecido por Gilgamesh. Posteriormente, essa história, foi copiada quase que integralmente na Bíblia, na referencia feita a Noé.






Barca.







Voltando a Edfu. Nesse templo a história conta sobre a chegada de 7 marinheiros. Esses seriam os primeiros habitantes do Egito. Através deles a sociedade teria desenvolvido-se. O antigo texto também fala do motivo pelo qual vieram. Ao que tudo indica, a ilha onde eles habitavam afundou em uma catástrofe, um dilúvio. Algumas das inscrições do templo de Edfu podem ser datadas em um período de 2500 anos antes de Cristo.







Barco turístico, chá no Nilo.





Outra informação interessante. Na base da pirâmide de Giza, fora encontrado, enterrado, um barco. Primeiramente, desconfiou-se que essa barca, com seus 46 metros de comprimento, era usada para fins cerimoniais. Posteriormente, o propósito pareceu ser outro e mais óbvio: a navegação. Sua engenhosa construção atesta a teoria. Tudo por ser baseada em uma centena de tábuas moldadas e amarradas com cordas, uma a uma, interna e externamente. O resultado é que em contato com a água, a madeira expande-se enquanto a corda encolhe. O resultado é um casco completamente a prova d’água. Para alguns historiadores o barco era ainda mais navegável que qualquer outro da frota de Cristovão Colombo. Provavelmente isso seja um exagero. Afinal não foram encontradas velas junto a ele
e sua capacidade de carga limitada.

Tudo isso parece um pouco maluco e eu concordo. Mas imaginem que eu poderia estar falando de coisas ainda mais doidas. Como a construção das pirâmides por alienígenas, os Deuses astronautas ou então sobre a maldição do faraó. Nesse cenário, pensar em Atlântida não é absurdo.



EGITO como exemplo.

Toda essa a evolução, atingida pelo império faraônico, parece não ter durado até o Egito moderno. Problemas posteriores a invasão árabe e mais antigos que a Guerra dos Sete Dias, são os responsáveis pelo estado de pobreza atual. Mesmo assim noto que eles tem algo a ensinar-nos. Principalmente no campo do turismo.






Temperos orientais, a melhor dica para os cozinheiros




Apesar de terem um alfabeto completamente diferente do nosso e falarem uma língua nada próxima das conhecidas ocidentais, o turismo deles humilha. Claro que devemos citar algumas vantagens, como estarem a um vôo de no máximo 5 horas da maioria das capitais européias. Mesmo assim recebem mais turistas americanos que nós brasileiros, e isso que o Brasil não tem células terroristas.







Fotinho com veiote




Como todo país de terceiro mundo, o serviço é muito bom. A qualidade é aprimorada com a vantagem de a maioria dos comerciantes e pessoas falarem no mínimo o básico de inglês. Isso na pior das hipóteses. O carroceiro que conheci, do qual já me referi anteriormente, falava um inglês bom. Toda a tripulação do meu barco fala alemão e inglês, sem mencionar os que além dessas duas se comunicam em espanhol, francês ou italiano. Os comerciantes que falam apenas inglês, sabem o mínimo para vender e negociar em pelo menos outras 3 línguas. E isso inclui as crianças, que aproximam-se nos bazares, falando a mesma frase em alemão, espanhol e inglês. Uma situação completamente oposta a que eu encontrei em Natal, no Rio Grande do Norte. Garanto que as riquezas naturais que encontrei naquele pedacinho do Brasil fariam qualquer gringo chorar. Infelizmente, apenas uns dois restaurantes tinham serviço em inglês e cardápio em outra língua que não o Português. Tudo bem que o Rio de Janeiro é mais preparado, mas mesmo a capital do nosso turismo não seria páreo para a pequena Aswan, no quesito línguas.







Komb Ombo






Outra questão diz respeito aos cruzeiros. Quantos desses encontramos no segundo maior rio do mundo? O Amazonas é uma de nossas maiores relíquias. Eu mesmo seria um candidato a esse passeio. Talvez até existam barcos que o façam o trajeto mas, apenas para ilustrar, acredito que devam existir pelo menos 500 que façam esses cruzeiros pelo Nilo. Talvez a navegação do Amazonas não seja tão fácil, pela quantidade de sedimentos que ele carrega em suas águas. Mesmo assim imagino que o problema seja contornável.






Michael Jackson








Uma terceira questão diz respeito a segurança. Hoje caminhei pelas pequena vielas de Aswan. Abandonei as vias tradicionais e infiltrei-me nas pequenas ruelas mais distantes. A pobreza estava em toda parte. Diria que em muitos lugares encontrei situação ainda mais critica que em favelas brasileiras. Por toda parte encontrava turistas nas mesmas condições que eu, caminhando despreocupados. Inclusive meninas desacompanhadas. Todos sem medo, com câmeras fotográficas nas mãos e um sorriso no rosto. Com exceção feita aos comerciantes chatos e a diferença cultural evidente, que proporciona curiosidade, poderia dizer que o passeio era monótono. Essa é a vantagem de um pais muçulmano. No geral os roubos não são tolerados. Qualquer atitude de violência é um atentado contra a economia do pais.
Basta lembrar o colapso que gerou o ataque de 1997.



LISI PONTO TURÍSTICO

Certamente, o maior ponto turístico do Egito não era Karnak. Muito menos a esfinge ou a gigantesca pirâmide de Giza. O maior ponto turístico do Egito, enquanto estivemos lá, foi a Lisi. O Emiliano falou que, enquanto esteve na Índia, a sua namorada húngara teve o mesmo problema.




Mesquita de Muhamed Ali. Lisi é obrigada a cobrir-se para entrar.






O fato é que a Lisi, por ser loirinha e bonita, chamava muito a atenção. Por onde passávamos o povo se emocionava. O ponto alto foi em Komb Ombo, onde uma pequena excursão parou para tirar fotos conosco. Claro que só liberava minha bela modelo caso eu estivesse na foto também. Se o magrão achou que ia ser fácil, se deu mau.






Pirâmides.







Outra passagem interessante foi no Vale dos Reis. Lá o grande numero de árabes, pela primeira vez, superou os ocidentais. Além de, por ser no meio do deserto, a Lisi obrigou-se a usar uma mini saia. Engraçado foi olhar as meninas tirando foto com o celular e o orientador da escola pedindo que elas desviassem os olhos, ao passar pela Lisi.





O ISLAM NO CENTRO DA MODA

Em uma grande cidade como o Cairo, é possível observar as variações de interpretação que o Islam recebe de suas fiéis. Algumas características são comuns na grande maioria das mulheres. O corpo quase que completamente coberto e o lenço em volta do rosto é uma regra. Por outro lado, existem variações nessa regra que chegam a ser engraçadas.













Para algumas mulheres a religião é extrema. Mostrando apenas os olhos através de uma máscara, mesmo com o calor e forte sol, elas vivem a vida. Claro que existem outras meninas que não respeitam em nada essas regras, mas no Egito são a minoria. A maioria delas usa uma variação mais moderna, mesmo as de famílias mais abastadas. As meninas continuam cobertas, mas realçam suas formas com roupas mais justas, e de marcas bacanas. É comum encontrar garotas com calça e bolsa Diesel e um lenço Chanel cobrindo o cabelo. Tudo como manda a regra religiosa mas muito mais feminino.






Lisi fazendo amigos.









EDFU e o templo de Hórus.

Edfu é um templo dedicado ao Deus Hórus. O falcão, como é conhecido, filho de Osíris e Isis. Osíris foi o primeiro rei do Egito. Tirou seus habitantes do barbarismo e ensinou-os a agricultura, as artes e a ciência. Ao que tudo indica, isso ocorreu no ano de 5000 antes de cristo. Após esse primeiro trabalho junto ao seu povo partiu para a Mesopotâmia onde seguiu com seu objetivo, espalhar o conhecimento.






Hórus







Quando voltou, encontrou seu irmão Set em seu lugar como rei. Apesar de seus laços de sangue Set enciumou-se de Osíris e matou-o. Sua ira foi tão grande que cortou-o em 14 pedaços, espalhando-as partes por todo Egito, para garantir que esse não voltaria. Isis saiu em busca de seu marido encontrando apenas uma das partes, seu falo. Seu membro era tão forte que, mesmo sem o resto do corpo, foi capaz de engravidar Isis. O resultado dessa relação foi Hórus o Deus falcão. Pelo visto todo o panteão de Deuses Egípcios poderia trabalhar no entretenimento adulto.

Hórus cresceu em conflito com seu tio Set, o assassino de seu pai. Na idade adulta, finalmente, ele domou seu desafeto. Unindo assim os dois reinos do Egito norte e sul. Além de suas duas partes, animal e espiritual. Osíris representa a força criadora do mundo. Por outro lado Set, representado pelo Hipopótamo, é o desejo, a carne, o materialismo. A oposição necessária para a criação, a antítese no sentido espiritual. O que nós cristãos chamamos posteriormente de Diabo, o adversário. Assim Hórus, como o espírito, precisa reunificar-se com a carne, Set. A única forma seria domá-lo, pois jamais conseguiria derrotá-lo, se o fizesse não existiria mundo. Sem materialismo não existe a terra que conhecemos. Da mesma forma Hórus não pode ser destruído, pois sem espírito o homem volta a ser nada mais que um animal.




TERRORISMO

Hatshepsut foi rainha do Egito, uma faraó mulher. Através de sua força política obrigou os clérigos a reconhecerem a sua legitimidade como filha de Osíris. Seu reinado poderia ter passado em branco, para a posteridade, fruto da ambição de seu predecessor. Thutmosis III mandou apagar todos os registros da rainha, nas paredes do templo Djeser-Djeseru, para evitar que suas filhas pequenas contestassem o trono. O belo templo erguido pelo arquiteto Senemut foi covardemente modificado. Infelizmente esse não foi o único ato de insanidade que essas paredes testemunharam.





Templo de Hatshepsut








Em 1997, 58 turistas e 4 egípcios foram assassinados pelo grupo terrorista islâmico Al-Gama’a Al-Islamiyya, no que ficou conhecido como o massacre de Luxor. Como conseqüência, o pais sofreu sua maior crise no ramo turístico. Se pensarmos que esse é o ramo mais lucrativo da economia do Egito, fica fácil imaginar os problemas que seguiram a esse ato terrorista. Como exemplo cito meu guia Mustapha, especialista em egiptologia, hieróglifos e fluente em alemão, ficou 3 anos desempregado.













Não é fácil imaginar como o terrorismo é mau visto pelos egípcios. Mesmo os muçulmanos mais dedicados discordam dos atos de derramamento de sangue. Isso não deixa o pais livre mas diminui bastante o risco. Apesar disso, outros atos terroristas aconteceram e células extremistas são encontradas em todo país. O mais recente na península de Sharm el-Sheikn, felizmente não com as conseqüências dos atentados de 1997.



MANCHA NA TESTA

Quando vocês assistirem o canal Al Jazira ou algum líder islâmico for entrevistado na CNN, reparem na testa dos caras. Em sua maioria, ela apresenta uma mancha escura. Ela pode variar em tamanho, formato e calosidade. Quanto maior e mais marcada, mais religioso e, portanto, mais moral ele tem em sua comunidade.















Essa mancha escura é fruto do repetitivo esforço de encostar a cabeça no tapete, durante a oração diária. Todo o bom muçulmano tem que ter a sua calosidade. Imagino que isso deva ser a base para tudo. Vai no banco pedir um empréstimo, antes dá uma escurecida na mancha com maquiagem ou carvão. Vai falar pela primeira vez com os pais da mulher que se interessou, umas duas raspadinhas no carpete para ajudar.



BANDEIRINHA DE GUIA.

Todo guia tem uma bandeira, ou seja lá o que for, para chamar a atenção de seu grupo. Lembro-me na Disney, numa viagem em que quase enlouqueci minha mãe, dos guias usando bandeirinhas com os nomes das agências. No Egito a disputa é ainda mais acirrada. Cada centímetro de templo é disputado como em uma guerra. No lugar do guia preocupar-se com um bom lugar na Space Montain, ele procura um pedaço de muro com uma história interessante, contada em hieróglifos. Meu guia, Mustapha, muitas vezes promoveu verdadeiras discussões em árabe pelo privilégio de mostrar um desenho na parede.













Em um ambiente tão competitivo, diferenciar-se da concorrência é fundamental. Para tanto, todos os artifícios criativos são válidos. Nós publicitários sabemos bem disso. Bem, achamos que sabemos.













No meio da multidão diferentes instrumentos são utilizados para caracterizar os grupos e seus guias. Um cabide de roupas, um buque de flores, uma bengala, um pedaço de pau com um boné na ponta, um guarda-chuva, um bastão com fitinhas amarradas, são alguns exemplos. Imaginem que eu achava as bandeirinhas na Disney exageradas e vexatórias.



Excursão da TERCEIRA IDADE ALEMÃ

Antes de partir rumo ao Egito fiz algumas pesquisas. A melhor proposta foi de uma agencia. Eles ofereceram um pacote com todos os atrativos que procurava, 25% mais barato que os outros. A única desvantagem era que o guia só falava alemão. Bom, por 25% de desconto eu nem pensei duas vezes para responder sim. Um dicionário resolveria meu problema.














Quando cheguei em Luxor, para o cruzeiro, percebi que a pessoa mais jovem, com exceção de eu e a Lisi, tinha 65 anos. Sem problemas, afinal de contas sempre me dei bem com os mais velhos. O problema é que em sua totalidade, a língua materna era a única opção. Assim, fui obrigado a falar alemão o dia inteiro. Chegava para dormir com a cabeça pesada. Tinha que entender as explicações sobre a história do Egito em alemão e ainda traduzir para a Lisi (que nem fazia menção de prestar atenção).














Por ser o mais jovem da excursão, não demorou para que algumas coisas ficassem evidentes. Eu era sempre o último a me apresentar para a partida dos passeios. Fui o único a ser barrado no jantar de gala por estar de Havaianas. Também era o que tinha mais dificuldade de entender as histórias, por não ter convivido com os faraós.




GORJETA E JEITINHO EGÍPCIO

Tudo no Egito funciona na base da gorjeta ou da propina. Qualquer trabalhador espera um dinheirinho quando cumpre seu dever. Seja ele o motorista, o carregador de malas, o garçom, ou o cara que arruma as camas, todos querem uma graninha. O Egípcio médio anda com um bolo de dinheiro, apenas com notas pequenas. Tudo para facilitar a gorjeta.















Outro esquema bem difundido é semelhante ao brasileiro. Pagando você pode fazer tudo. Entrar em lugares proibidos dos templos, por exemplo. Ou tirar foto segurando uma legítima AK-47. Tudo é permitido.














Fique atento ao jeitinho Egípcio. O cara diz que vai tirar uma foto sua com a patroa. Ele pega a câmera, tira a foto e só devolve se tu der uma graninha. Uma coisa bem comum, também, é um legítimo árabe se oferecer para tirar foto com você. No fim ele apenas esfrega os dedos pedindo um dinheirinho. Os caras dos camelos também são espertos. Eles oferecem para tirar uma foto no alto do camelo. Baratinho, apenas 1 euro. Bom, por esse preço fica fácil aceitar. Depois que você sobe no camelo, ele diz que só desse o bicho por mais 5 euros. O problema é que o camelo tem 2 ou mais metros de altura. Para mim isso não seria um problema mas para a Lisi, com seus 1,60 m, a situação complicaria.















Se não estiver disposto a comprar algo não de conversa para os vendedores. Eles são um saco. E vão tentar de tudo para empurrar algo para você. Caso esteja interessado em gastar uma grana, só aceite negociar ou comprar algo quando o preço chegar a um terço do valor inicial. Nem que para isso tenha que virar as costas e sair da loja. No geral, eles vão correr para aceitar o valor que você ofereceu.

Para resumir e facilitar a vida, aqui vai uma verdade: não tem como escapar desse povo. Então guarde a dica. Tenha sempre alguns trocados no bolso e prepare a lábia.




PICHADORES DO PASSADO.

Quem assistiu a série Roma, percebeu como as paredes das casas e templos sofriam com pichações. Quando visitei Pompéia tive a oportunidade de comprovar esse fato. A cidade era tomada por esse tipo de arte ou vandalismo. Vale lembrar que esses atos não era privilégio de Roma, no Egito foram encontradas pichações nas paredes da pirâmide de Gîza feitas por trabalhadores que a construíram.














Interessante falar que para o mundo Grego e Romano, esses incríveis templos e necrópoles, do antigo Egito, logo viraram pontos turísticos. Assim que esses dois impérios se sucederam no controle das terras da planície do Nilo, milhares de estrangeiros começaram a trafegar nessa área. O Vale dos Reis, por exemplo, fora visitado por viajantes Europeus muito antes que começassem seus estudos arqueológicos mais avançados.














Prova dessas afirmações são as centenas de pichações encontradas nos templos de todo o Egito. Algumas em Grego e outras em Latim. O interessante é que hoje, esses atos de vandalismo e ignorância, também fazem parte da história e recebem todo o cuidado para serem preservados.




NÚBIA














Um dos passeios mais interessantes que fiz foi em uma autêntica aldeia Núbia. Os núbios são um povo que habita o sul do Egito e Norte do Sudão. Historicamente foram a primeira civilização negra da África. Fundaram o reino de Kush, que no terceiro milênio antes de Cristo esbanjava poder no sul do Nilo.






Núbios











Hoje muito pouco sobrou de seu esplendor. Suas vilas pobres estendem-se ao longo do Nilo. A língua Núbia, que chegou a ter sua própria escrita, hoje depende totalmente do alfabeto árabe.














A aldeia que conheci era, como de se esperar, muito pobre. A religião árabe hoje predomina na região, inclusive entre os Núbios. Fui em uma casa de chás e fiquei algumas horas observando os populares. Infelizmente muito de sua cultura hoje está perdida. As constantes invasões e desmantelamento do império fizeram com que esse povo perdesse muito de sua identidade. A língua parece ser o único fiapo de história que liga o reino grandioso de Kush, que chegou a conquistar o sul do Egito e assustou Alexandre o Grande, a essas paupérrimas vilas ao longo do Nilo.

3 comentários:

erick rosa disse...

você tá virando o maior repórter da blogosfera mundial. muito bom. fucking fuckers. manda esse textinho para uma revista viagem da vida que eles publicam.

Vânia disse...

Marco, sou a Van, amiga da Lisi, vi as fotos do Egito, e todo o seu comentário, e achei um ARRASO !!!
Parabéns !!! Ah ,vcs formam um casal 10 !!!!!

Luanna disse...

as fotos estão ótimas!!!!!!!!!
adorei o post!
desejo que esteja tudo bem por ai com vcs
bjo
inté :)