quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Dois assuntos e uma cidade.

Nos livros ela é Amsterdã, já os mais íntimos abreviam o nome para Adam. Uma cidade inigualável. Com seus 800 mil habitantes e uma média de 1,5 milhão de turistas anuais, suas ruas fervilham. Por onde quer que passeie a visão existe história, beleza e inteligência. Tudo sem perder o charme de um vilarejo. A reciclagem cultural é impulsionada por uma população estrangeira, ávida por coisas novas.



Vista para um dos canais









Semana passada, fiquei um sábado e domingo entre seus canais. Não poderia ser melhor. Na verdade, se a Lisi estivesse lá, seria perfeito. O clima da cidade sempre me impressiona. O que eu mais gosto é a liberalidade. Para muitos essa característica é uma desvantagem, para mim um complemento. Claro que existem problemas decorrentes desse posicionamento. No Red Light District (ou Walletjes), por exemplo, traficantes ocupam as ruas, iluminadas pelos neons vermelhos, oferecendo todos os tipos de drogas possíveis. Não que elas sejam legalizadas. Na realidade, em sua maioria elas não são. Existem algumas não industrializadas que foram toleradas na década de 70, entre elas está a maconha e os cogumelos alucinógenos. Essas são encontradas e vendidas em estabelecimentos específicos, as Smartshops e os Coffeeshops.






Coffeeshop






Minha abordagem no último parágrafo pode ter assustados os menos liberais. Mesmo assim posso garantir que não existe motivo para pânico. Tanto a Red Light District como os Coffeeshops são observados por câmeras. Nada passa da vista apurada da polícia holandesa. Liberdade sim, mas com controle do Estado. Talvez isso seja reflexo da Guilda de São Jorge, uma das corporações criadas para manter a ordem na cidade, por volta do ano 1533. Ou da Guarda Civil, fundada em 1580 pela união de três associações de atiradores. Poderia ainda propor qualquer outro motivo. Só escrevi esses dois primeiros para parecer inteligente.






When nature calls....











Red Light District







Um pouco mais de história me provoca a teorizar, novamente, sobre a cidade. Agora fico pensando na origem desse pensamento liberal.

No ano em que nosso país foi descoberto, Amsterdã já tinha 12.000 habitantes. Nessa época o comércio no mar Báltico trouxe riqueza e poder, fazendo dela a cidade mais importante da província da Holanda. Com a reforma protestante que varria a Europa, em 1578 Amsterdã se tornou a capital da nascente República Holandesa. Isso sem antes passar por uma guerra civil que durou 80 anos. No fim o vitorioso foi um governo protestante, feroz e intolerante, que expulsou os católicos da cidade. Esses protestantes Calvinistas tentaram, inclusive, abolir a prostituição que já era aceita desde 1478. Além de destruírem obras religiosas em Beeldenstorm, em 1566. Como vocês podem ver, eles já brigavam por liberdades individuais antes mesmo de sairmos do ovo como nação.




Jeitinho holandês. Casas são maiores no topo pois o imposto é cobrado pela parte de baixo.



Hoje em dia, baseados em uma política centrada no indivíduo, outras minorias encontram espaço para fazer valer suas opiniões e direitos. Apenas para listar algumas dessas iniciativas: o casamento homossexual (com direito a adoção), eutanásia e aborto.










A câmera ficou doidona






Mudando de assunto sem mudar de cidade.

Não sou ciclista, uso bicicleta como meio de transporte. Assim, meu negócio não são aquelas cheias de marchas, estilo esportista. A magrela precisa ser funcional, adaptada para o ambiente em que ela roda. A minha na Vila Olímpia era estilo grandona de praia, a diferença eram os pneus grossos e o banco hiper-acolchoado. Tudo para facilitar a vida em um dos bairros mais esburacados do Brasil (repito do BRASIL). Mesmo assim, era apaixonado pelo meus momentos pedalando nessas ruas horrorosas. Agora imaginem eu em Amsterdã que é bonita? É o paraíso. Todos só andam de bicicleta.





Fui para Holanda e lembrei de você.




Eu acho esse meio de transporte perfeito: não poluente, seguro, rápido e ainda o cara faz exercício. Tem algum melhor? Não entendo porque nenhuma cidade brasileira aproveita. Parece óbvio. Por que São Paulo não tem uma ciclovia descente (Aquela da Faria Lima é ridícula)? Dizem que o motivo é a cidade não ser plana. Eu acho uma meia verdade. Da Vila Olímpia, passando pelo Itaim e somando toda a faixa da Faria Lima, vemos um terreno bem nivelado.






A céu não é aplicado





Agora imaginem o seguinte cenário. O trânsito no interior dos bairros seria fechado e o acesso liberado apenas para carros de moradores, ciclistas, táxis, carga e pedestres. Para chegar a essas áreas existiriam estações de metrô, além das já conhecidas avenidas Faria Lima, Hélio, Juscelino e Marginal. Facilitando o deslocamento, bondes elétricos cruzariam o miolo do bairro. Tanto os bondes como o metrô deixariam que o passageiro entrasse com a bicicleta. O espaço para essas mudanças viria dos estacionamentos da área azul, obsoletos depois do esvaziamento de carros. De um lado passaria o bonde e do outro duas pistas de bicicletas. A via principal continuaria sendo apenas para carros. Acho que sobraria um espaço até para uma calçadinha. Um luxo se tratando de São Paulo.
Esse parágro tava horrível e só reparei agora. então dei uma arrumadinha.













Sou tão idealista que acredito que esse projeto é viável. Para quem trabalha na Vila Olímpia tenho um desafio: contar a quantidade de entregas que já são feitas em bicicletas. Esse teste pode ser feito em qualquer horário de almoço. É comum encontrar entregadores de padarias, restaurantes e pizzarias desviando dos carros. Existem até policiais que monitoram o bairro em suas magrelas militares. Isso apesar de todos os problemas. Imagina com espaço?

6 comentários:

marie disse...

amigo querido!

to mega fã do teu blog. tá muito bom. parabéns! pelo visto tu tá curtindo horrores a vida aí. Mas também quem não estaria?! O teu vídeo de amster ficou muito legal. ai, que saudades! adorei a foto mutcho louca também!
bejocas e have fun!
marie

mutantismos disse...

quando eu ganhar na megasena (eu tenho certeza que mereço pra caralho!) vou comprar apê em amsterdão, como dizem os portugas.
sempre que posso, volto pra lá.
curti as fotos, tu é bom!

Alexandre disse...

Só fez teu amigo aqui passar vontade... e vc sabe que essa terra , a tal Adam , teria tudo haver comigo!
Keep on going....

Abrazzzzz

Careca.

mcallage disse...

putz, putz, putz.

Simone disse...

Oi, Marco! Estou adorando ler teu blog. Muito bem escrito! Parabéns!!! :)

Bj

Humberto disse...

E aí Marco,blz??É Humberto, ou doisz ou ainda vulgo cabelo quem vos fala...Visita indispensavel esta, não??!!hehehe...Bom, passei aqui pra te dar um abraço e lhe desejar boa sorte.Aann, ficou devendo aquelas partidinhas de futebol lá no kreca ein...abç