quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Faxina

Você que chegou agora e está se perguntando: ----Se até o Marco Loco conseguiu um trampo na Europa, porque eu não conseguiria? Vou adiantar que a tarefa não é fácil. Eu, particularmente, me preparei muito para o desafio. Iniciei no meu portifólio, passei pela minha conduta profissional e terminei em uma reflexão psicológica. A última foi a mais importante.

Afinal, que espécie de maluco seria capaz de largar uma carreira, já encaminhada em São Paulo, para começar tudo de novo em outro lugar? Vender todos os bens de consumo adquiridos em 11 anos de trabalhos forçados e abandonar um lindo apartamento em Moema? Além de deixar, para os gaviões se aproximarem, uma esposa absolutamente maravilhosa? Para tanto, certamente o cara precisa ter estrutura emocional.

Bom, as coisas estavam indo muito bem até sábado. Pensei estar preparado para tudo mas infelizmente não era bem assim. Foi nesse fatídico final de semana que fiz minha primeira faxina. Peguei vassoura, sabão e esfregão e fui dar uma geral no apartamento. É galera, aqui na Europa pagar empregada é caro e a qualidade da limpeza é bem duvidosa.

Comecei pelo banheiro. A pior parte tem que vir no inicio, depois tudo vai mais fácil. A privada, que para muitos é algo horrível, foi tranquilo. Tudo graças as toneladas de produtos químicos que joguei nela e em cada centímetro do banheiro. Queria ver qualquer bactéria sobreviver ao meu ataque. Dei dois passos para trás e contemplei minha obra. O lugar estava um brinco. Pelo menos foi isso que imaginei. Claro que estava errado.

Lembrei que no meu último banho o ralo demorava para escoar a água. Daí tive a brilhante idéia de levantar a tampa dele e ver qual o motivo. Não tenho palavras para descrever o nó que senti no estômago. Tinha tanto cabelo que pensei que uma peruca entupia o ralo. Sabe quando o cabelo fica velho e podre? Deu nojo imaginar? Agora pense que eu tive que colocar a mão ali e tirar tudo.

Do banheiro para a cozinha. Achei que ia ser mais fácil. Tirei todas as coisas dos armário e limpei cada prateleira com esmeiro. Depois fui movendo os eletrodomésticos do lugar para limpar melhor. Quando puxei o frigobar de baixo do balcão me assustei. Tinha uma camada de molho de tomate velha e esquecida em cima dele. Tudo já com aquele aspecto bolorento e verde. Peguei um pano e removi toda sujeira. Olhei com orgulho para o serviço. O problema é que tive outra brilhante idéia. Por que não olhar a parte de cima dos armários? Aquela onde os olhos nunca alcançam. Preciso falar da quantidade de pó que encontrei?






melhor que falar é mostrar





Essa experiência me fez valorizar muito duas pessoas: minha mãe e a Marleide.

Minha mãe, como muitas mulheres de sua geração, largou uma promissora carreira no ramo de turismo para cuidar dos filhos. Ela gerenciava a família e uma casa enorme em Ipanema. Raramente tinha ajuda de empregadas. Eu tinha dificuldade de entender porque ela negava auxilio para cuidado do lar, depois das aulas de psicologia aplicada a propaganda compreendi melhor.

Minha mãe negava ajuda pelo mesmo motivo que os bolos em caixinha pedem adição de leite (e ovos em alguns casos). Estudos provaram que a mulher quando vai a cozinha quer dar mais que uma refeição, ela quer dar amor. As consumidoras desse produto não consideravam que pegando um pacote e acrescentando apenas água, estariam dando o que a família mereceria. Para as mães, cuidar da casa é fazer um carinho em seus amados. Minha mãe me deu mais amor do que eu poderia calcular.

A Marleide é outra história. Foi a primeira empregada mais paranóica com limpeza que a minha esposa. Ela deixava minha casa mais limpa que um laboratório. Se não fosse pelo veneno de barata que a Lisi espalhava pela casa, afirmaria que seria possível comer no chão da cozinha. Que saudades da Marleide.

Entendendo um pouco mais os Europeus, até posso afirmar sobre os motivos de tamanha falta de higiene. É muito mais fácil cobrar de alguém pela limpeza do que fazer a faxina com as próprias mãos. Esse serviço tão pouco prestigiado no Brasil merece todo nosso respeito. Não que eu não tivesse antes. A diferença é que hoje consigo mensurar exatamente a dificuldade de manter uma casa limpa.

8 comentários:

João Braga disse...

E o salão, tá limpando aí também?

sandra disse...

loquito, alles blau? legal ler as suas impressoes. deu saudades. de berlim. heheheh

Marco Bezerra disse...

João, bom é clima seco.

mutantismos disse...

marcão! te achei!
raul.

Alexandre disse...

Chora , negão.
Abrazz

lisilahorgue disse...

Mori tu não imaginas o quanto feliz fiquei com tuas descobertas sobre limpeza!
Betcho, Lisi

felix disse...

Saudade de você, doidão.
Manda uns emelho pra mim.Beijo
manir

Luanna disse...

corajoso mesmo! do início do final do post... largar uma vida feita e ainda enfrentar uma faxina dessas ... "zizuis"

agora me fala uma coisa... me passa o telefone da Marleide pq as faxineiras que conheço por aqui tão mais pra européias do que qq coisa rssss

te desejo sorte ai!!!!!!!!! e qq coisa "tamos aq"
beijo