terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

The Helping Hounds of Hell


















Cumprindo com o prometido, vou postar meu primeiro comentário sobre uma exposição que está rolando aqui em Berlin. Tudo começou quando o Pernil e a Gabi vieram aqui me visitar. Resolvi fazer o tradicional caminho das galerias underground com eles. A primeira parada foi próximo ao Hackescher Markt, ainda caminhando pela Rosenthale Strasse, na Neurotitan Gallery & Shop.











O local onde fica a galeria é um tradicional Höfe aqui de Berlim. Costumo passar lá para olhar a loja que fica no fundo e curtir as paredes grafitadas por artistas conhecidos do cenário alternativo mundial. Nessa semana os caras estavam com uma exibição muito legal. O nome do projeto é “The Helping Hounds of Hell”. Apesar de ter esse nome diabólico, a intenção dos caras é das mais divinas: arrecadar grana para o Sage Hospital E.V no oeste africano.


















Quando cheguei lá me lembrei na hora do Bráulio Kuwabara. Ou seria Kubaruba? Tanto faz, japonês é tudo igual mesmo. Ele é um nego que iria aproveitar muito mais que eu a galeria, com certeza. O japonês adora esses shapes de skate bem elaborados que viraram tela para artistas de rua. A exposição, na realidade, era só sobre esse tema. Vários caras emprestaram seu estilo para uma centena de shapes de skate. Todos artistas reconhecidos aqui na Europa e na Alemanha.















Não sei se sou eu que não tenho o conhecimento suficiente sobre o tema ou o trabalho lá exposto que era muito bom. O fato é que gostei de quase tudo. Até do cartaz bem simplão eu simpatizei. Apesar de me interessar muito por street art, não havia visitado um espaço dedicado a essa arte de skate. Uma mídia que é explorada desde a década de 80 mas que recebeu o reconhecimento a poucos anos. Hoje, criar uma estampa para uma prancha de madeira é muito mais cool que em um quadrado de pano.













A influência do estilo grafiteiro moderno é evidente. Mas as instalações e relevos adornando os skates são novidade para mim. Isso certamente é uma evolução na tradicional forma de apresentar os desenhos no shape, Também achei muito legal a interação de mais de uma base, formando uma gravura com uma dimensão e intencionalidade maior que o corpo tradicional da prancha. Meu destaque fica com os trabalhos de Boris Hoppek, Jon Burgerman, Blackjune, Havec, Kingdrips e Georg Rabensteiner. Nesse caso, tenho que concordar que a escolha é obviamente de caráter personalíssimo. Eu sou muito apegado a alguns traços e estilos que me atraem e influenciam meu trabalho pessoal. Certamente, outra pessoa escolheria outros para enumerar. Sendo assim, a lista completa dos artistas está aqui.


















A exposição terminou no dia 3 de fevereiro, aqui em Berlim. Agora os caras transferiram toda a parafernália para Hamburgo, onde ficam até o dia 12 desse mês. Em breve, colocarei mais alguns trabalhos que me impressionaram, nas últimas caminhadas pelo Mitte e arredores.


































Um comentário:

mutantismos disse...

deveriam inovar na midia: billboards na vertical! quanto shape bom nas fotos, marcão.

ah, não sou budista. fiz retiros, tomei refúgio mas não tenho a necessearia preatica diária pra me considerar um budista. tenho simpatia e penso nas palavras dos lamas que eu já ouvi falando. só isso. não é muito.

mas como o próprio sidarta disse: você pode usar o budismo como uma canoa pra atravessar o rio. mas não precisa carregar a canoa nas costas terra a dentro. aos poucos a canoa poderá ser carregada, quem sabe.

sei lá... volta e meia penso nessas coisas de impermanência e pá. só tenho que cuidar pra não pensar na impermanência só nas horas difíceis...

grande abraço. valeu a força.
abraço pro emiliano tb.