quinta-feira, 10 de julho de 2008

Entretenimento

O meu antigo dupla João Braga odeia a Palavra entretenimento. Infelizmente, para ele, não encontrei sinônimo melhor para intitular esse tópico. Engraçado que, o que vou falar aqui, foi extensamente e muito bem desenvolvido pelo Fabiano Goldoni no Blog da Perestroika. Então pensei que, se tem mais alguém falando sobre o tema, é por que o assunto deve ser importante.

Para iniciar a teoria, vou escrever sobre a minha vida. Como sempre, ela vai funcionar como exemplo para o meu raciocínio. Mais uma vez fundamentarei meu trabalho na própria experiência sensorial e emocional. Palavras bonitas mas de utilidade nula se não forem bem complementadas. Então vamos lá.

Depois que vim morar em Berlim, assumi uma postura muito mais seletiva e ativa quanto a televisão. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de dar uma “vidradinha numa tela”. Adoro um bom documentário ou filme de ação. Isso sem falar nas séries de TV. O problema é que não tenho televisão a cabo e muito menos consigo entender a língua nativa. Assim, hoje, eu assisto meus programas prediletos no computador.

Pode parecer estranho mas, sem querer, acabei me tornando o exemplo melhor acabado do telespectador do futuro. Porque eu iria assistir propaganda se eu posso saltar de um episódio de “Lost” para outro de “Heros” e finalizando com um documentário sobre as “Baleias do Egito”? Tudo coladinho, sem intervalo e perda de tempo. O que você faria se tivesse essa opção? Bom, você já tem ela.

Hoje propaganda não compete com outros comerciais. Propaganda briga com entretenimento. A pergunta que segue, a essa enumeração de fatos, é a seguinte: como competir? A solução certamente não está em procurar formas de obrigar as pessoas a assistir comerciais. Isso é apenas mais um tiro no pé. A única maneira é transformar propaganda em entretenimento.

Acho que, inclusive, esses institutos de pesquisa deveriam fazer testes de forma diferente. Por que não um em que o consumidor pode escolher, livremente, o que assistir e fazer? Observar se a preferência é um filme e jogar video game ou ver os comerciais entre eles. Tudo poderia ser selecionado com um controle remoto. Se o cara não assistir o comercial antes da diversão, por vontade própria, não passa no teste. Garanto que muitas idéias ousadas acabariam aprovadas assim.

Outra coisa interessante é que “o que falamos” está perdendo força para o “como falamos”. Sendo mais claro, não vai fazer muita diferença ter um conceito forte e inteligente se o filme ou anuncio forem chatos. Em resumo, menos filosofia e mais diversão.

Para desenvolver meu raciocínio, acho melhor enumerar alguns exemplos. Um cara que é perfeito, para isso, é o Juan Cabral. Em sua maioria, os trabalhos dele são divertidos. O filme “Balls”, de Sony Bravia, é uma execução maravilhosa com uma trilha linda. Assisti-lo é como curtir um clipe de uma banda legal. É uma super experiência visual aqueles milhares de bolinhas quicando ladeira abaixo em São Francisco. Quem nunca sonhou em fazer isso? Eu já. Sem discussão, um baita de um filme. Agora qual o conceito? “Colour like no other”. Sozinho ele não diz muito, pode vender até coleção primavera-verão das Lojas Renner.



Apenas para comparar e deixar mais clara minha teoria, vou citar uma formulação que é maravilhosa. Acho o conceito da Folha de São Paulo, do Ricardo Freire, muito mais esperto: “Não da para não ler”. A construção é inteligente e bonita. Além de através da negação fazer uma afirmação. Justamente o contrário que os Gurus da propaganda pregam. Acho perfeito para um jornal.

O primeiro cara que me apontou essa curiosidade, sobre o conceito do filme “Balls”, foi meu grande amigo Marco Pernil Giannelli. Não poderia deixar de dar crédito para ele nesse texto.

Voltando ao tema. Outro bom exemplo, ainda com o Juan Cabral, é o filme do gorila para Cadburys. Esse é muito discutido como peça criativa, mas não tem como negar que é um sucesso. Vale conferir a quantidade de paródias e citações espontâneas que existem sobre ele no Youtube e na internet. Isso sem falar que alavancou as vendas do chocolate e ganhou um Grand Prix em Cannes. Qual o conceito? “a glass and a half full of joy”. Juro que até hoje não entendi muito bem.



Para fazer o contraponto, aqui vai uma outra formulação conceitual que acho boa: “Impossible is nothing”, da Adidas. Tem como achar algo com mais impacto para uma marca de material esportivo? Difícil.

Novamente tenho que dizer que isso não passa de uma cagação de regra baseada em uma observação pessoal. É assim que eu penso e é para esse caminho que pretendo direcionar meus esforços. Por sinal, conheço uma centena de colegas que não concordam com minhas afirmações. Só para ficar na minha agência, alguns acham o filme Gorilla uma grande porcaria. Para eles eu devo todo meu respeito e uma pequena sugestão: meia cartelinha de Gardenal.

3 comentários:

Marco. Ou Pernil. disse...

Este Pernil é foda, cara. Juan Cabral fazendo e Pernil comentando. Eh tipo tabelinha entre Pelé e Nelson Rodrigues. Aliás, qdo vamos colocar no ar o site do descagando regras?

marie disse...

amigo querido!

curti muito teu texto! tava com saudades! vê se não fica mais tanto tempo sem escrever! faz muita falta a tua vã filosofia! hihihihi! bejocas, marie

João Braga disse...

A palavra é escrota, seção de master do caralho. Mas a intenção é boa. O macaco tá certo.
Saudades do brother.
Abs,